Para começar, gostaria de fazer uma pergunta. Você investiria seu dinheiro em produtos de renda fixa como CDB, LCI e LCA oferecidos por bancos brasileiros de menor porte ou que você desconhece?

Uma  parte das pessoas diria que não, pois acreditam que é arriscado. Já ouvi isso de várias pessoas que preferem investir em grandes bancos brasileiros. Outra parte das pessoas, talvez uma minoria responderia: depende. Assim, quem respondeu desta forma espera garantias, além de maiores juros em troca. Ou seja, os juros e as garantias oferecidas por um banco remuneram o risco.

Quando você aplica seu dinheiro em CDB, LCI E LCA emitidos por um banco, está emprestando dinheiro para  ele, esperando receber o montante investido adicionado de juros.

Em Economia, devemos ter em mente que a rentabilidade é inversamente proporcional à segurança. Em outras palavras, quanto mais arriscado é um investimento, maior deve ser o prêmio (rentabilidade) oferecido. As pessoas só aceitam correr um risco mais elevado se forem bem remuneradas por isso.

Afinal, quem iria investir em um banco pouco conhecido e que oferece uma taxa de juros baixa em troca?

Investir em bancos brasileiros menores pode ser algo bem rentável, pois as taxas de juros tendem a ser maiores do que as oferecidas por grandes bancos.

Entretanto, é necessário conhecer o sistema de classificação de risco e as notas de risco ou “ratings” dos bancos que oferecem produtos de renda fixa.

Da mesma forma que um banco busca conhecer melhor o seu cliente antes de conceder crédito, o investidor deverá conhecer o banco que emite títulos privados (CDB, LCI, LCA e outros).

Neste artigo, irei abordar a classificação de risco dos bancos brasileiros, de forma que você possa tirar o maior proveito possível da relação risco x benefício existente e tomar boas decisões de investimento.

Agências de classificação de risco

Seria um trabalho exaustivo para o você, investidor, analisar os balanços financeiros de todos os bancos brasileiros que oferecem produtos do seu interesse, concorda?

Por essa razão, esse “trabalho pesado” é realizado pelas “Agências de classificação de risco”. São aquelas mesmas instituições internacionais que avaliam o “risco-país”. O mesmo trabalho é feito em escala ampliada avaliando-se os balanços financeiros, fluxo de caixa, projeções, questões jurídicas, percepções e até envolvimento em escândalos de corrupção dos bancos de todo o mundo.

Com base nessa avaliação, estas agências atribuem uma nota a cada banco dentro de uma escala de classificação de risco, da mesma forma que fazem com governos, empresas e outras instituições.

Quanto mais alta a nota, mais seguro se torna investir em ativos emitidos por determinado banco. Quanto menor a nota, maior a probabilidade de você sofrer um calote. Mas existe sempre um meio termo onde é possível “equalizar” risco com retorno. Veremos como consultar notas e “equilibrar” essa relação “risco x retorno” mais adiante.

As 3 principais agências de classificação de risco que realizam este trabalho são a Fitch, S&P Global Ratings (antiga Standard & Poors) e Moody’s.

Classificação dos bancos brasileiros

Graças às notas de classificação de risco, ou “ratings”, é possível que você tenha acesso ao grau de risco de um banco de forma fácil e rápida. Também são conhecidas como classificação de risco, notação de risco, notação de crédito, notação financeira de risco, avaliação de risco e classificação de crédito.

As notas de classificação de risco estão organizadas de forma decrescente em Tabelas de classificação de risco. No topo da tabela, estão as maiores notas. Na coluna cinza, à direita, está  a classificação realizada pelas 3 agências citadas anteriormente. Veja a seguir esta tabela:

Notas de Risco Bancos Brasileiros

Como você pode perceber, cada agência adota um sistema de notas. Apesar disso, os sistemas adotados pela Fitch e S&P Global Ratings são bastante parecidos.

Quanto maior as chances de moratória (calote) do banco, empresa ou governo, menor a nota (mais próximas de “D”). Por outro lado, quanto mais perto do topo da tabela, melhores as notas (Ex.: AAA, AA+ e AA) .

Tabela simplificada

Consultar as tabelas elaboradas pelas Agências de Classificação de Risco para avaliar os bancos brasileiros pode ser algo complexo. Assim, criei uma versão simplificada (não oficial), de maneira que o entendimento dessa “sopa de letrinhas” possa se tornar claro. Confira:

bancos brasileiros - tabela risco simplificada.

Na nossa tabela, a classificação vai de “excelente” até “em moratória” (estado de insolvência). Você certamente notou que há 2 grupos de cores marcantes na coluna da direita: verde, vermelho. Trata-se da classificação dos bancos e instituições em dois grandes grupos: os que possuem “grau de investimento” (em verde) e os que se enquadram no “grau de especulação” (vermelho).

Perceba que existem também, três grupos principais de nota: “A”, “B” e “C”. Dentro de cada um desses grupos, quanto mais letras melhor a nota.

Facilitando o aprendizado

Para ilustrar, imagine que você deseja saber qual de dois bancos brasileiros é mais seguro. O banco “Y” possui nota AA e o banco “K” possui nota A. Qual o banco possui maior nota? O banco Y (AA). Ele tem mais letras. Já o banco “J“, que possui nota AAA. É prime, tem maior nota (o nível de maior segurança).

Vamos agora fazer outra comparação: o banco “Y” (AA) com o banco “Z”, que possui nota BBB. O mais seguro é o que possui nota mais próxima do topo (grupo de notas A), ou seja, o banco “Y”.

Agora compare o banco “Z” (BBB) com o banco “W“, que possui nota BBB+. O banco “W” é mais seguro. O Sinal de + após as letras indica que esta é uma nota que está em um subnível acima da nota BBB.

Por último, compare o Banco “Z” (BBB) com o Banco “T” (nota BBB-). O mais seguro é o que possui nota BBB, ou seja, o banco  “Z“. Isso porque a nota representada por letra sem sinal algum sempre estará acima da nota com mesma letra, com mesmo número de repetições, mas com sinal negativo.

Significado das notas de risco dos bancos

Caso você deseje se aprofundar no tema e saber o que significa cada uma destas notas, recomendo a leitura deste documento da Fitch Ratings : Definições de rating e outras formas de opinião.

Apresento abaixo um breve resumo do que significa cada uma delas, com base neste mesmo documento.

AAA: mais alta qualidade de crédito

Rating que reflete a menor expectativa de risco de inadimplência. Nota somente concedida em casos de capacidade excepcionalmente elevada de se cumprir compromissos financeiros. Grandes bancos internacionais são os que mais comumente recebem esta nota.

AA: qualidade de crédito muito alta

Expectativa muito baixa de risco de inadimplência. Indica uma capacidade muito elevada para o cumprimento de todos os compromissos financeiros. Diante de eventos previsíveis, esta capacidade raramente é abalada. Alguns bancos brasileiros também se enquadram nesta categoria.

A: qualidade de crédito alta

Aqui existe uma baixa expectativa de risco de inadimplência. A Capacidade que o banco possui de cumprir com seus compromissos financeiros é forte. Pode haver uma maior vulnerabilidade a eventos externos maior do que em bancos brasileiros e estrangeiros com notas maiores.

BBB: boa qualidade de crédito

Este rating indica que, no momento, existe uma baixa de risco de crédito. Os bancos brasileiros classificados com esta nota possuem capacidade aceitável para cumprir com seus compromissos financeiros. São mais propensos a serem afetados por adversidades originadas de turbulências nos cenários econômicos nacional e internacional do que bancos com notas maiores.

BB: especulativo

Este rating reflete que o banco apresenta um risco de inadimplência mais elevado. Em um cenário futuro, está um pouco mais propenso a mudanças adversas nos negócios e nas futuras condições econômicas. Entretanto, existem alternativas financeiras e de negócios que fazem com que os compromissos financeiros sejam honrados.

B: altamente especulativo

Este rating indica que há significativo risco de inadimplência presente. Entretanto, ainda existe uma tênue margem de segurança. Neste caso, os compromissos financeiros vem sendo honrados, mas a capacidade de pagamento ao longo do tempo está vulnerável à deterioração nos ambientes de negócios e econômico.

CCC: risco de crédito substancial

A inadimplência é uma possibilidade real.

CC: risco de crédito muito alto

Algum tipo de inadimplência é provável. O risco de inadimplência é iminente e a fragilidade nos negócios já é evidente.

C: risco de crédito excepcionalmente alto

A inadimplência é uma questão de pouco tempo ou é inevitável.

RD: inadimplência restrita

Um rating “RD” indica que o banco encontra-se inadimplente em um pagamento não solucionado de determinado bônus, empréstimo ou outra obrigação financeira, mas que não entrou legalmente em processo de recuperação judicial, intervenção administrativa, liquidação ou de encerramento formal. Também pode ainda não ter encerrado suas atividades diante da sua deterioração.

D:inadimplência:

Para a Fitch, rating “D” indica que um emissor entrou com pedido de recuperação judicial intervenção administrativa, liquidação ou processo de encerramento formal ou que já encerrou suas atividades.

Como  descobrir a nota de risco de determinado banco?

Se você pretende adquirir títulos privados de corretoras de valores, saiba que algumas delas como a XP Investimentos apresentam as notas de riscos dos bancos emissores.

Você também pode descobrir a nota de risco de um banco através de consulta na página monitor de ratings no site Banco Data.

Você pode também consultar diretamente no site de uma das três agências de classificação de risco mediante prévio cadastro.  Abaixo, listo os sites destas agências.

Bancos brasileiros: relação risco x retorno

Você deverá estudar sempre a relação risco x retorno antes de investir nos bancos brasileiros e internacionais.

De qualquer forma não é bom contar com a sorte e investir em bancos com grau especulativo. Mas isso depende do seu perfil e da consciência dos riscos que está correndo. Até a nota BBB- você está investindo em um banco dentro do Grau de Investimento.

Investir em bancos brasileiros com nota BB+ ou nota menor, já é especular. Depende muito de sua coragem, perfil e frieza, a menos que você invista dentro do limite de cobertura do FGC.

Bancos brasileiros que oferecem rentabilidades muito altas para investimentos como CDBs, algo acima de 117% do CDI devem ser analisados com atenção especial. Procure saber a nota. Muitas vezes, os bancos não as divulgam por serem baixas demais. Quem divulga é o banco, não a agência. Elas são contratadas pelos bancos para tal avaliação. Se a nota é alta, interessa ao banco divulgar. Se for baixa, não.

Dentro do chamado grau de investimento, você deverá buscar a melhor taxa de juros de um investimento que possua a nota mais elevada possível.

Fique atento, pois há casos em que bancos brasileiros com notas piores oferecem rentabilidade menor do que bancos com notas maiores.

Para fins didáticos, fiz uma consulta. Determinado banco X, que não divulga sua nota de risco, oferecia um CDB a 118% do CDI com vencimento em 3 anos. O investimento mínimo para este CDB é de R$5.000,00.

Entretanto, para o mesmo valor, o Banco Original que possui nota BBB+ oferece CDB com vencimento em 2 anos (menor tempo) a 116,50% do CDI na data que escrevo este artigo.

Perceba como uma boa análise faz toda a diferença. Você não deve aceitar o que o gerente oferece a você sem conhecer. Investir por corretoras abre um leque maior de oportunidades, porque elas trabalham com vários bancos.

Você pode fazer análises semelhantes através deste site.

Investindo em bancos menores

É muito comum ver alguns bancos médios “quebrarem” ou enfrentarem sérias  dificuldades financeiras. Todos os anos a história se repete e em tempos de crise, se agrava. Por isso é essencial conhecer as notas de classificação de risco.

Antes de investir em LCA, LCI e CDB desses bancos médios é de suma importância checar previamente o risco que você correrá. A partir disso você deverá avaliar se vale a pena ou não correr este risco. Para tanto além do risco, você terá que levar em consideração a rentabilidade e a liquidez.

Entretanto, de maneira geral  bancos brasileiros que apresentam as piores notas oferecem como “prêmio” juros maiores aos investidores aventureiros. Esta é a única opção que resta a estes bancos para atrair investidores, uma vez que não são nada atrativos em questão de solidez.

Investindo em bancos maiores

Os bancos que obtém maiores notas nas classificação de risco são obviamente mais seguros. Muitos deles são grandes e muito conhecidos. Assim, sabendo que a grande maioria dos investidores em renda fixa possui um perfil conservador, eles oferecem taxas de juros menores. Mas há algumas exceções, é claro.

Pagar para ver

Por questões didáticas, ou seja, para aprender em caso de eventual quebra do banco, você pode se arriscar um pouco e investir quantias menores em bancos que oferecem altas rentabilidades. Mas tenha plena consciência de que o valor investido é coberto pelo FGC em caso de falência do banco e de que a corretora possui o selo Cetip Certifica.

Há pessoas com perfil de investidor mais agressivo ou com um patrimônio já consolidado que optam por pagar para ver.

Entretanto,  isso deve ser uma decisão de sua responsabilidade (como todas as demais), é claro. O ideal é que você já tenha uma reserva de emergência consolidada e uma carteira de ativos bem estruturada antes de correr mais riscos.

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Você já consultou a nota de risco de algum banco antes de investir? Conte sua experiência. Tem alguma dúvida, poste nos comentários.

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Abraço e até a próxima!

Fábio Moraes

Um artigo sobre Educação Financeira

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