Você ainda possui dinheiro aplicado na Caderneta da Poupança? Sabe que a inflação tem superado a sua rentabilidade, mas não sabe onde investir? Ainda tem medo de emprestar dinheiro para o governo e ter seu dinheiro confiscado? Acha a aplicação em títulos públicos algo complexo? Acha que Tesouro direto é só para os ricos? Preste atenção! Você pode estar diante de uma grande oportunidade em sua vida e está prestes a deixá-la escapar.

De nada adianta poupar uma determinada quantia por mês se você não faz bons investimentos. Educação financeira não é só se preocupar em gastar menos do que se ganha. Muitas pessoas acreditam que já são educadas financeiramente por gastarem menos do que consomem, poupando uma quantia mensal. Ter uma boa Educação Financeira é também conhecer sobre investimentos, juros compostos, juros nominais e juros reais, dentre outros temas. Ter educação financeira é você mesmo decidir o que deve ser feito com o seu dinheiro. Significa que você têm conhecimento suficiente pra isso, sem depender da opinião de ninguém. Você mesmo pode fazer o que os bancos fazem por você quando você contrata produtos oferecidos por seu gerente como Planos de previdência, sem ter que pagar as altas taxas cobradas que incidem sobre sua rentabilidade. Neste sentido, nada custa aprender sobre um investimento que até então você não conhecia, não é verdade?

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um Programa oferecido pelo Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a BM&F Bovespa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet.

Você poderá investir com valores a partir de R$30,00, respeitando o fracionamento mínimo de 1% do valor de cada título.

Por exemplo. Se um determinado título custa R$7.500,00, você poderá investir neste título com valores múltiplos de R$75,00 (1% ), ou seja 0,01 parte de um título.

Quando você compra um título público está, na realidade, emprestando dinheiro para o governo realizar projetos de infra-estrutura, educação, saúde, dentre outros. Na verdade o que pagamos com nossos impostos deveria subsidiar por completo as necessidades da população.

Entretanto as contas do nosso Governo costumam não “fechar” e ele se vê na necessidade de pedir dinheiro emprestado de instituições financeiras, bancos e da própria população para cumprir com suas necessidades.

Como se cadastrar no Programa do Tesouro Direto?

Para investir em Tesouro Direto, primeiramente, você precisará abrir uma conta investimento em uma corretora de valores. Os bancos geralmente são outra opção para investimentos no Tesouro Direto. Entretanto estes cobram taxas de custódia anuais maiores que as cobradas pelas corretoras de valores, por isso recomendo que invista por meio de corretoras, buscando melhores taxas e qualidade. Nesta página você consegue uma lista das instituições financeiras (bancos e corretoras) habilitadas para intermediar a compra de títulos públicos. Estas instituições são chamadas agentes de custódia. Corretoras geralmente cobram uma taxa de administração anual de 0 a 0,30%. Já os bancos podem chegar a 2% ao ano. Os maiores bancos costumam cobrar taxa de administração de 0,40 a 0,50% ao ano.

Você vai necessitar entrar em contato com a instituição financeira escolhida, solicitar seu cadastramento, informar que deseja se cadastrar também na plataforma Tesouro Direto e fornecer a documentação necessária para que essa instituição abra uma conta investimento em seu nome. É mais simples que abrir uma conta bancária. Você somente preencherá alguns formulários e serão solicitados documentos como CPF, RG, comprovante de residência e comprovante de renda. Não há necessidade de comparecer à sede da corretora. Tudo é feito pela internet de forma simples e fácil. A própria Corretora ou Banco cadastrará você na plataforma Tesouro Direto.

Em seguida, você estará habilitado a fazer investimentos no Tesouro Direto. Você receberá uma senha provisória da BM&F Bovespa para o primeiro acesso à área restrita do Tesouro Direto, em que são realizadas as operações de compra e venda, bem como consultas a protocolos, saldos e extratos. É importante, logo no primeiro acesso trocar esta senha por uma senha criada por você. Guarde sua senha em local seguro.

Conhecendo os títulos do Tesouro Direto

mulher de roupas claras sentada na cama de um hotel e fazendo uma pesquisa em seu notebook. Induz à pesquisa por Tesouro Direto.

Agora vamos conhecer um pouco dos títulos oferecidos para pessoas físicas  pelo Tesouro Nacional. Existe um título para cada objetivo financeiro. Você deve estabelecer seus objetivos financeiros e prazos antes de investir. Existem títulos adequados para objetivos de curto, médio e longo prazo. Alguns possuem maior liquidez, outros não. Muitos investidores “casam” os títulos escolhidos com os objetivos. Ex.: Em qual título (ou títulos) investir para comprar um imóvel de R$250.000,00 à vista em 8 anos? Uma opção, considerando que este artigo foi escrito em março de 2016 é a compra do título Tesouro IPCA+ 2024. Cada título atende perfeitamente a um objetivo. Para saber mais, consulte o questionário de perfil do investidor.

O Tesouro Direto oferece, de maneira geral, 3 tipos de títulos: os prefixados, os pós fixados e os mistos.

Prefixados

Ao você comprar um título pré-fixado, você saberá exatamente a rentabilidade deste título na data de seu vencimento. Para cada título inteiro (não fracionado), o valor de bruto a receber na data de vencimento será de R$1000,00. A rentabilidade nominal (sem considerar a inflação) é conhecida no ato da compra.

Esses títulos são indicados caso você acredita que a taxa prefixada será maior que a taxa de juros básica da economia (Selic) até o vencimento do título. Se você comprar um título prefixado hoje, receberá o valor de face de R$1000,00 na data de vencimento. Sendo assim, você pode pagar hoje R$700,00 ou R$800,00 para receber um valor bruto de R$1000,00 na data de 01/01/2019, no caso de optar pelo Tesouro Prefixado (LTN) 2019, por exemplo. Convenhamos que se é para receber R$1000,00 em 01/01/2019, o mais interessante é pagar um valor menor oferecido por este mesmo título. Ao acompanhar diariamente a evolução dos preços dos títulos públicos, você vai perceber que, de forma geral, quanto mais alta é a taxa de juros oferecida, menor será o valor do título, e vice versa.

Os dois títulos prefixados são:

  •  Tesouro Prefixado (Antiga LTN – Letras do Tesouro Nacional) –  Neste caso a rentabilidade é prefixada e você saberá exatamente quanto irá receber na data de vencimento do título. Há títulos prefixados com prazos de vencimento em 2019 e 2023.
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (Antiga NTN-F – Notas do Tesouro Nacional Série F) – a rentabilidade também é prefixada, semelhante ao Tesouro Prefixado. A diferença é que você recebe os juros semestralmente em sua conta investimento). Os prazos disponíveis enquanto este artigo é escrito é 2027.

Pós-fixados ou indexados à Taxa Selic

Os títulos pós-fixados tem sua rentabilidade corrigida diariamente acompanhando a taxa selic. Possuem a vantagem de possuir boa liquidez, uma vez que a rentabilidade é sempre positiva(desconsiderando os primeiros dias de investimento), aumentando diariamente, independente de aguardar até o vencimento.

É indicado se você acredita que a tendência da taxa selic é de elevação ou manutenção em patamares elevados, já que a rentabilidade desse título é indexada à taxa selic diária. É considerado um título indicado para um perfil mais conservador, para quem deseja formar uma reserva para emergências ou para o investidor que não sabe exatamente quando precisará resgatar seu investimentos. Pode ser usado também para aproveitar oportunidades de boas taxas oferecidas em outros títulos ou outros investimentos posteriormente. É ideal para quem está acostumado com a liquidez da caderneta de poupança e quer aproveitar a alta da taxa selic para buscar uma boa rentabilidade.

O título pós fixado é o Tesouro Selic (antiga LFT – Letras Financeiras do Tesouro) e o prazo disponível no momento em que escrevo este artigo é 2021.

Mistos ou Indexados ao IPCA

Títulos mistos são formados por uma parte prefixada e por outra pós-fixada indexada ao IPCA. É uma excelente maneira de se “blindar” da desvalorização causada pela inflação até o vencimento do título, além de ter uma rentabilidade real (já descontada a inflação).  Garantem o poder de compra do seu dinheiro ao longo do tempo que estiver investido.

Os Títulos mistos são:

  • Tesouro IPCA + (NTN-B Principal – Notas do Tesouro Nacional série B principal). Possui disponibilidades de vencimentos de médio e longo prazo, ele é indicado para quem deseja poupar para a compra de casa, aposentadoria e estudo dos filhos, dentre outros objetivos de médio e longo prazo.  Os Títulos dessa categoria disponíveis possuem os seguintes prazos: 2019, 2024 e 2035. Possui fluxo de pagamento único no vencimento. Caso você necessite vender este título antecipadamente, o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado, de modo que a rentabilidade poderá ser maior ou menor do que a contratada na data da compra, dependendo do preço do título no momento da venda. Por essa razão, muitos investidores conciliam a data de vencimento do título com o prazo desejado para o investimento.
  • Tesouro IPCA + com juros semestrais(NTN-B Principal – Notas do Tesouro Nacional série B). Semelhante ao anterior, entretanto possui fluxo de pagamento dos juros de 6 em 6 meses com datas pre estabelecidas pelo Tesouro Nacional.  É mais interessante para quem deseja utilizar o rendimento para complementar sua renda ao longo do tempo. Em vez de receber tudo no final, junto com o capital principal, os juros serão recebidos semestralmente, podendo uma parte ser reinvestida e outra sacada para sustento do investidor. Os pagamentos semestrais representam uma antecipação da rentabilidade contratada.

Como comprar os títulos?

O recomendado para não ter problemas de advertências com a BM&F Bovespa é que você primeiramente disponibilize os recursos necessários em sua instituição financeira que será o seu agente de custódia para compra de títulos e em seguida fazer a compra no site do Tesouro.

No caso de ocorrência de não pagamento de uma compra realizada no programa, o investidor primeiramente receberá uma advertência por e-mail alertando-o sobre o evento e quanto às penalidades previstas em caso de reincidência. Havendo reincidência, o investidor não poderá realizar aplicações no Tesouro Direto por um prazo de 15 dias. O prazo de suspensão para 30 dias no caso de mais uma ocorrência de não pagamento e, para mais de 2 reincidências, o prazo passa a ser de 60 dias.

Geralmente, a liquidação de compra ocorre em D+2, mas não é bom contar com a sorte. Tenha sempre recursos disponíveis em seu agente de custódia no momento da compra.

Tendo conhecimento das observações mencionadas acima, o investidor deverá consultar a tabela de preços dos títulos públicos e suas respectivas taxas vigentes na data em que ele deseja fazer a compra. É importante saber que os preços e as taxas são atualizados 3 vezes por dia. Quando este artigo estava sendo escrito, os preços de compra dos títulos e suas respectivas taxas eram  as apresentadas na próxima figura. Para acessar a tabela atualizada, visite aqui

Tabela de preços e taxas dos títulos públicos vigentes na manhã de 29 de junho de 2016.

Após a escolha do título que atenderá melhor seus objetivos, acesse o link Investidor Cadastrado no site do Tesouro Direto e preencha seus dados de acesso para acessar sua área de investidor.  Lá você poderá escolher seus títulos, com base no valor disponível e realizar a compra.  Também poderá consultar seus protocolos e extratos.

Exemplo de compra de Títulos

Para exemplificar, vamos supor que você deseja fazer um aporte de R$1000,00 à sua Reserva de Emergência.  Você já sabe que a poupança oferece rentabilidade insatisfatória. Assim, você quer uma rentabilidade real acima da inflação, mas busca liquidez semelhante à Poupança. Desejando reaver o dinheiro investido em qualquer dia útil no futuro, você optou pelo Tesouro Selic.

Para comprar você deverá acessar a área de “Investidor Cadastrado“, selecionar a opção “Comprar” no menu “Comprar e Vender“, selecionar o seu Agente de Custódia (Corretora de valores ou Banco) e em seguida, no campo “Valor Desejado” referente ao Título Tesouro Selic 2021. Basta digitar 1000,00 e aperta “Enter”. Você perceberá que aparece uma fração correspondente à múltiplos da fração mínima de 0,01 Título que este valor pode comprar. No momento em que escrevo este artigo, foi disponibilizado a compra de 0,12 frações de um título a um valor de R$946,95. Nesta data, um Título Inteiro custava R$7891,26.

Taxas e imposto de Renda

São cobrados 2 tipos de taxas para investir em títulos públicos. Entretanto, são valores extremamente irrisórios diante do potencial de rendimentos. Você pagaria muito mais em taxas se investisse por meio de Fundos de Previdência. Estes cobram taxas de administração altíssimas em cima da sua rentabilidade para comprar títulos públicos.

A Taxa de custódia da BM&F Bovespa é de 0,30%  ao ano sobre o valor dos títulos, referente aos serviços de guarda (custódia) dos títulos e às informações e movimentações dos saldos.

A Taxa de administração cobrada pelo agente de custódia (Banco ou corretora de valores) que faz a intermediação das transações entre você e o Tesouro, também é anual. Esta taxa é disponibilizada no próprio site do Tesouro Direto. Veja aqui. As taxas de administração anuais podem variar de 0,10 a 2% ao ano sobre os rendimentos. Há, também  corretoras que não cobram taxas de administração.

Mesmo com a incidência de imposto de renda, a rentabilidade de títulos do Tesouro Direto é superior à Caderneta de Poupança, onde não é cobrado Imposto de renda.

Quanto mais tempo você permanecer com os seus títulos, menos impostos irá pagar e maior será a sua rentabilidade. Após 360 dias, vigorará a alíquota mínima que é de 15% ao ano.

Abaixo você pode ver a Tabela das alíquotas de  imposto de renda sobre investimentos.

Tabela de Alíquota regressiva de imposto de renda sobre investimentos. Para o prazo de Aplicação de até 180 dias, será cobrado 22,5 dos rendimentos; Para resgate entre 181 e 360 dias, será cobrado 20 sobre os ; para resgate entre 361 e 720 dias, será cobrado 17,5

Você não precisa se preocupar pagar os impostos. O pagamento de impostos e taxas é feito diretamente pela sua corretora.

Você só terá que declarar a rentabilidade dos títulos se for obrigado a declarar imposto de renda por ter renda tributável acima do teto anual estipulado pela Receita Federal.  

Os Títulos Públicos oferecidos por um País são investimentos muito seguros

Cadeados fechados nas barras de uma ponte sobre um corpo d'água com linda paisagem montanhosa ao fundo representando a segurança do Tesouro Direto.

Uma pergunta em comum das pessoas que não se sentem seguras para investir em Títulos Públicos é sobre o risco de crédito relacionado a este investimento.

É importante saber que uma das grandes vantagens dos títulos públicos oferecidos pelo Tesouro é o baixíssimo risco de crédito. Isto significa que há baixa probabilidade de calote do emissor, o Tesouro Nacional.

Os títulos públicos são sempre emitidos em moeda nacional. Desta forma, em última instância, o Tesouro Nacional solicitaria ao Banco Central a emissão de papel-moeda para honrar suas dívidas.

É também importante conhecer a distinção entre a dívida externa e dívida interna do Governo. Quando um país tem perda do grau de investimento, como ocorreu recentemente com o Brasil, este rebaixamento está relacionado com a dívida externa, uma vez que o Brasil não pode imprimir Dólar ou qualquer outra moeda estrangeira para arcar com suas dívidas no exterior.

Quando os pagamentos e recebimentos são feitos em real, a dívida é interna, e quando os fluxos financeiros ocorrem em moeda estrangeira, geralmente em dólar, a dívida é classificada como externa.

Assim, os títulos públicos fazem parte da dívida interna do país, já que são emitidos em reais. Ao comprar um título, portanto, você está emprestando seu dinheiro ao governo e engordando o volume de sua dívida interna que tem plenas condições de serem quitadas no futuro.

Os bancos brasileiros também realizam empréstimos entre si e oferecem como garantias títulos públicos.  Em uma hipótese remota de calote com títulos públicos, todo o sistema financeiro nacional entraria em colapso. As operações realizadas entre Bancos e o Banco Central são lastreadas (garantidas) por títulos públicos. Em caso de calote, estaríamos regredindo como nação.

Planos de Previdência são um “mix” de Títulos e outros ativos

Quando você contrata planos de previdência privada ou investe em fundos de renda fixa, esta, indiretamente investindo em títulos públicos. Os bancos são os maiores detentores de títulos públicos. Os Diretores dos bancos sabem que o risco de calote do Tesouro Direto é muito pequeno. Assim, eles lucram com isso e com a insegurança e desconhecimento da população, cobrando taxas onerosas.

Só em março de 2016, 33.456 novos investidores se cadastraram no Tesouro Direto. O número total de investidores cadastrados ao fim do mês atingiu 708.711, o que representa aumento de 46,3% nos últimos doze meses.

Apesar do aumento constante, ainda é um número relativamente pequeno comparado à população economicamente ativa no país.

Ou seja, você que está lendo este artigo está diante de uma excelente oportunidade de investimento. Pouquíssimos brasileiros se beneficiam desta oportunidade. Seja por medo do desconhecido, preguiça de ler e aprender ou falta de educação financeira, a grande maioria da população não busca aprender mais sobre investimentos.

Concluindo, não seja como a maioria das pessoas. Não tenha bloqueios e preconceitos. Continue sempre aprendendo. Faça cursos e compre livros sobre educação financeira e investimentos.

“Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância”

“Derek Bok”

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Até a próxima.

 

 

Fábio Moraes

Um artigo sobre Educação Financeira

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