Você sabe a diferença entre ativos e passivos? Sabe a relação que os ativos e os passivos eles tem com sua renda e seu padrão de consumo? Não entende por que alguns amigos ou familiares, apesar de possuirem uma boa renda, vivem endividados? Acha que é culpa dos outros, de condições externas da economia ou está diretamente relacionado com a forma de pensar e agir? Onde está o X da questão? Se está curioso pra saber, então prepare-se para entender por que o nosso comportamento influencia diretamente nos nossos resultados financeiros.

Para início de conversa, gostaria de citar um breve conceito de ativos geradores de renda. Também conceituar os passivos, claro.

 O que são Ativos e Passivos?

Ativos representam a parcela do seu patrimônio constituída por bens e valores que são capazes de gerar renda constante.  São imóveis comprados com a intenção de alugar, terrenos,  aplicações  financeiras como títulos públicos, privados,  ações, ouro, moedas, fundos de renda fixa, fundos de renda variável, dentre outros. A Caderneta de poupança, de maneira geral, se enquadra como ativo. Entretanto, nos dias atuais, por apresentar rentabilidade inferior à inflação, prefiro não considerá-la como ativo gerador de renda. O dinheiro que fica aplicado na poupança perde valor.

Já um passivo é exatamente o oposto de um ativo. É tudo aquilo que pode ser adquirido ou criado e que lhe gerará despesas periodicamente. Num sistema de fluxo de caixa, o dinheiro proveniente de sua renda não fica retido no sistema. Ele sai do sistema.

Se você quiser se tornar rico, é essencial conhecer a diferença entre um ativo e um passivo. O problema é que grande parte das pessoas acaba “trocando as bolas” e acabam enfrentando sérias dificuldades financeiras.

Gastar menos do que ganha é a base da prosperidade. Mas isso somente não basta. É preciso saber mensurar em percentuais. Ter uma idéia de quanto pode poupar por mês para nos próximos meses se pagar primeiro. E principalmente identificar se possui passivos sugadores de renda e o que fazer para “fechar a torneira”.
 
Pessoas que se educaram financeiramente priorizam a aquisição de ativos. Geralmente pessoas ricas são mais discretas e preferem ser ricos em essência do que apenas aparentar riqueza. Não se preocupam com a opinião dos outros. Já pessoas que não pensam como ricos adquirem passivos e os ostentam como se fossem muito ricas.
 
Um ativo pode ser considerado como algo traz mais dinheiro pra você. Já um passivo, é algo que tira dinheiro de você.

A grande armadilha  
Planta carnívora aprisionando uma abelha, representando as armadilhas que envolvem renda, ativos, passivos.

Sua renda pode aumentar ao longo da vida. Você pode ser um funcionário exemplar e ser reconhecido por isso, ascendendo profissionalmente ou mesmo se tornar um grande empresário.  E aí é está a grande armadilha.
Ter um aumento de renda é muito bom. Entretanto, muitas pessoas se empolgam tanto com esse aumento que acham que tem “super poderes”. Fazem suas contas mensais e percebem que a prestação do financiamento de um determinado passivo cabe direitinho no orçamento e é aí que mora o perigo.

Carro é um passivo gerador de despesas

Vamos supor que você tenha uma renda mensal de R$4000,00. Há algumas necessidades básicas e não há nada de errado em ter um carro.  Mas cuidado. Carro é um ativo ou passivo? Se você respondeu ativo, errou. Carro é um passivo. Gera despesas como IPVA, gasolina, manutenção, seguro. Se você resolver vender daqui a alguns anos, ao invés de ter ganho de capital por valorização, perceberá que seu bem desvalorizou.
 
Mesmo com essa renda, se você optar por ter um carro, compre com consciência e preferencialmente à vista. Muitas pessoas compram carros por meio de financiamentos e perdem dinheiro por dois lados. De um lado, o carro se desvaloriza e do outro há os juros do financiamento de uma parte do valor do carro. Estes juros são referentes a parcela de valor que foi financiado e que não se altera. Ou seja, você paga juros por um valor X e tem seu bem depreciado em X-(Y x tempo). O ideal para se comprar um carro é ter condições de comprá-lo à vista, sem se descapitalizar, ou seja,  mantendo parte de seu patrimônio em ativos. Melhor ainda, que a parcela de ativos seja maior que a de passivos.

Os danos causados pela aquisição de passivos

A grande armadilha está em perder seu precioso tempo e seu precioso dinheiro comprando passivos à medida que sua renda aumenta por meio de financiamentos. Você compromete renda e tempo passado, presente e futuro. Vamos supor que você foi promovido a gerente na empresa em que trabalha e sua renda passou de R$4000,00 para R$8000,00. Com o aumento de renda, 1 ano após a compra do carro popular, resolvesse comprar um carro esportivo de luxo no valor de R$80.000,00 por meio de financiamento. O que aconteceria quando você saísse da concessionária dirigindo um belo carrão? Você estaria postergando a construção de um bom patrimônio por estar comprometendo a sua renda futura com um passivão de luxo. Eu mesmo não tenho a mínima vergonha de falar que já cometi este erro no passado. Mas estou curado e para impedir que outras pessoas caiam nessa armadilha, resolvi criar este artigo.

O grande problema é que quando a renda mensal aumenta, grande parte das pessoas acabam aumentando também seu padrão de consumo. E pior, de forma descontrolada e movida por emoções. Apesar de aparentarem ser ricas e bem sucedidas, na realidade estão empobrecendo.

Esta é a receita de bolo para você passar sua vida inteira correndo atrás de aumento de renda, ganhando cada vez mais e continuar empobrecendo.

Mas você pode estar se perguntando: há algum problema em ter um carro de R$80.000,00? Não, desde que você tenha reais condições de comprá-lo sem depender de financiamentos. Quando você financia um carro, paga juros enquanto outra pessoa (investidor), localizado na outra extremidade da gangorra recebe uma parte dos juros que você paga e ela enriquece.

Percentual de passivos do Patrimônio total

Alguns autores e educadores financeiros defendem a ideia de que o valor de um carro, deve ser 10% do seu patrimônio total. Eu concordo em parte, ou seja, se o passivo for supérfulo, não necessário. Um carro popular, comprado seminovo pode ser necessário de acordo com a sua realidade, local onde mora, onde trabalha, se necessita dele para o trabalho, entre outros fatores. O problema é que grande parte das pessoas trocam de carro a cada ano, por um modelo mais caro.

Pessoas focadas em crescimento financeiro focam em ativos.  As aparências enganam e eles não se preocupam se os outros o julgam por andar por aí com um bom e conservado carro popular ano 2009.

Se você possui um carro financiado, mantenha a calma. Você deve refletir e tomar uma decisão a respeito da possibilidade de quitação do financiamento para se livrar dos juros e das prestações mensais que o impedem de investir mais dinheiro em ativos que garantam boa rentabilidade acima da inflação. Se o valor de quitação do financiamento for muito alto, pode estudar a possibilidade de venda para comprar um carro de menor valor, à vista, sem se comprometer com o pagamento de juros e parcelas mensais. Mas é necessário que compreenda que a responsabilidade por suas decisões financeiras é unicamente sua.

Imóveis são ativos ou passivos?

Uma confusão muito comum quando se trata de ativos e passivos diz respeito a imóveis. Um apartamento, por exemplo, é um ativo a partir do momento que gera renda. É um passivo quando você reside nele, mesmo que comprado à vista, sem financiamento. Você tem despesas com manutenção e despesas corriqueiras, como água, energia, condomínio e impostos. Quando você coloca um segundo imóvel para alugar, você tem um ativo gerador de renda.

Se você comprou um imóvel financiado no passado e ainda paga as parcelas do financiamento, saiba que você não está errado por isso. Pode ter feito um bom negócio, apesar do financiamento, pois há alguns anos atrás, você encontrava imóveis a preços justos. Você pode estudar a possibilidade de quitação do mesmo. Pode lançar mão de abatimentos do FGTS e de alguma poupança auxiliar destinada à amortização do saldo devedor. Caso não seja possível amortizar no momento, vá pagando as prestações enquanto canaliza energia por meio de estudos e trabalho para aumentar sua renda a fim de poupar objetivando tal amortização.

Já se você pretende comprar um imóvel pra morar hoje e não dispõe dos recursos financeiros referentes ao seu preço justo, tenha consciência de que ele é um passivo necessário, pois morar é condição de sobrevivência. Pense seriamente em fazer esta compra à vista, não necessariamente hoje, mas daqui a alguns anos. Faça as contas, pois talvez seja mais vantajoso morar em um imóvel mais simples, pagando aluguel enquanto poupa outra parte para comprar a vista daqui a 5 ou 10 anos. Acredite. É possível. 

Ativos x Supérfluos

Voltando à sua renda hipotética de R$4000,00. Caso você ganhe um aumento de R$2000,00 deverá elaborar uma boa estratégia de alocação de ativos, diversificando seus investimentos.  Porém é essencial estudar as modalidades de ativos e, em seguida, comprar ativos ao longo do tempo, para depois poder usufruir de passivos. O que é supérfluo pode ser deixado pra depois, quando a renda gerada pelos ativos bancarão um padrão de consumo melhor. O importante é você conservar a sua capacidade de poupar e investir continuamente, com disciplina, perseverança, com metas e objetivos bem claros sem se deixar contaminar pelo consumo imediato. Afinal, para que comprar hoje com juros se você pode comprar amanhã à vista e com desconto?
 
Algumas pessoas tem a crença de que são merecedoras de ter supérfluos. Têm essa crença por serem bem remunerados ou por terem passado necessidades no passado. Bem, é essencial que este merecimento seja contínuo ao longo do tempo e não limitado ao instante da compra e de 6 meses de empolgação. A abundância financeira está mais relacionada com a capacidade de acumular dinheiro do que de ter uma renda superior.

Onde foi parar o dinheiro ganho?

ativos - homem consultando extrato bancário.

Se você deixar para poupar no fim do mês, provavelmente terá gasto sua renda totalmente e sobrará muito pouco. Faça uma planilha orçamentária contendo todas as suas receitas e despesas  para ter uma ideia de quanto pode poupar por mês. No mês seguinte você terá uma ideia de quanto pode poupar por mês. Estabeleça o valor, analise quanto isso representa em percentuais no seu orçamento e aplique mensalmente esse valor. Periodicamente, corrija pela inflação. Pague-se primeiro com foco e disciplina. Em breve, pretendo abordar melhor esta estratégia de poupança em percentuais.

Você pode aprender a fazer um orçamento pessoal para alcançar seus objetivos, visitando este outro artigo.

 Uma das frases célebres de Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo é: “Não economize o que resta de seus gastos, mas gaste o que sobra de suas economias”
 
Ou seja, no início do mês já separe dinheiro suficiente para cumprir com seus investimentos. Faça TEDs programados para a sua corretora de valores. Logo em seguida, pague suas contas em dia e depois viva com o restante. Logo você  vai poder fazer uma reserva de liquidez que possa ser usada em eventual caso de emergência e uma reserva de provisões para adquirir bens e utilidades. Para saber como criar uma reserva de emergência, visite aqui. Para saber como criar provisões financeiras, visite aqui.
 
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Até a próxima.
 

Fábio Moraes

Um artigo sobre Educação Financeira

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