Você é daquelas pessoas que se preocupam somente com o presente? Consome supérfluos com o seu salário, fruto do suor do seu trabalho? Você estabelece o seu padrão de consumo de forma automática com base em suas emoções? Consome baseando-se em prestações que seu salário será capaz de pagar, sem pensar na sua qualidade de vida futura? Já ouviu falar em Reserva de emergência?

É muito bom ter qualidade de vida hoje. Porém, é essencial fazer algo pra que esta qualidade de vida se perpetue e cresça pelo resto da sua vida. Sempre estamos vivendo com um passo no futuro, pois o presente é muito curto, tem frações de segundo. Por isso temos que prestar muita atenção nas escolhas que fazemos hoje. Essas escolhas determinarão nossa qualidade de vida no futuro.

Quando vivemos no presente e imaginamos o nosso amanhã, projetando nossas vidas daqui a 5 ou 10 anos, imaginamos um trajeto retilíneo. Vislumbramos um caminho plano e sem grandes obstáculos até o nosso objetivo. Essa forma de pensar é muitas vezes originada em nossas experiências passadas. Muitas vezes aceitamos como um eterno final feliz a conquista do emprego dos sonhos, ou do casamento, ou do negócio de sucesso. Se no passado o caminho foi plano e suave, muitas vezes tendemos a acreditar que no futuro será assim também.

Entretanto ocorre que muitas vezes as coisas não saem como planejado. A economia muda em movimentos cíclicos, as regras mudam, muitas vezes irreversivelmente, por intervenções políticas. Na nossa vida temos o domínio sobre algumas coisas, entretanto, outras não estão sob nosso controle. Não depende de nós. Há variáveis que temos como controlar, outras não. O que podemos fazer quanto a isso é sempre nos mantermos atualizados e bem informados. Além disso, devemos possuir reservas em ativos com liquidez.

Reserva de emergência – a fortaleza da sua vida

Homem sobre fortaleza - reserva de emergência

Muitas vezes comprometemos uma boa parte da nossa renda com empréstimos e financiamentos de toda natureza. Imaginamos que nossa vida futura será levemente sinuosa, enquanto criamos um futuro de dívidas e escassez.

Cabe aqui dois questionamentos. Se você perder sua fonte de renda atual hoje, por quanto tempo conseguiria viver até conquistar uma fonte de renda? Você conseguiria manter o seu padrão de vida atual com uma renda menor?

A reserva de emergência serve para proteger você. Sua maior segurança não está no seu emprego seguro e bem remunerado. Está nas suas economias.

Não gostamos de pensar em cenários ruins. Não precisamos pensar nisso o tempo todo e ficarmos neuróticos. Entretanto é  melhor prevenir com uma poupança do que tentar remediar se endividando ou aceitando qualquer emprego para “tapar buracos”.

Alguns autores não concordam com a denominação reserva de emergência. Defendem que você pode inconscientemente atrair a emergência. Eles dizem que você deve poupar pra ser rico. Segundo eles, quem é rico, sempre tem dinheiro. Em parte, concordo com isso. Mas pra ser rico e sempre ter dinheiro disponível, é preciso ter investimentos com liquidez. Caso você não queria atrair uma emergência, pode dar outro nome que julgar melhor pra esta reserva de dinheiro. Pode ser Reserva de Liquidez, por exemplo. O importante é você obedecer com disciplina as regras que criou. 

Entretanto se quiser realmente prosperar e ser livre na vida, deve fazer reservas. Se você não planeja o seu futuro, uma perda inesperada de renda ou uma emergência médica pode sair caro. Se você não tiver dinheiro suficiente para sobreviver durante algum tempo, terá que aceitar qualquer trabalho mal remunerado. Quanto maior o seu salário e quanto mais bem remunerado você é, mais demora pra conquistar um emprego novo.

Neste contexto, priorize a criação de suas reservas.

Classificação das reservas de emergência

Há dois tipos de reservas de emergências.

Reserva de Emergência Principal ou Direcionada

É aquela que você tem a intenção de criar, poupando determinada quantia e investindo em algum investimento específico com liquidez, como Fundos de Renda Fixa pós fixado ou Tesouro Selic, por exemplo. O objetivo desta reserva de emergência é cobrir uma eventual perda de renda gerada pelo trabalho ou em casos de custeios inesperados com tratamentos de saúde.

Reserva de Emergência residual 

É aquela formada pelos resíduos financeiros do orçamento no  final cada mês, ou seja o que sobra por mês. Visa atender à eventuais emergências de curto prazo, para caso de pequenas despesas inesperadas que venham a ocorrer em menos de 30 dias e, por isso, pode ficar em conta corrente ou em qualquer investimento de alta liquidez. Geralmente esta reserva, prevista no orçamento mensal, é formado pelas sobras. Um exemplo de uso destas reservas é para a compra de medicamentos que não foram previstos no início do mês, como no case de uma gripe. Caso o mês feche sem pequenos imprevistos, pode ser investida na reserva de emergência principal ou integrar investimentos para os sonhos. Exerce função de proteção, de modo que o poupador não precise lançar mão do cheque especial no fim do mês.

A tabela a seguir é um exemplo de orçamento mensal. Observe na linha azul,  ao final da tabela que existe uma previsão de sobras. Estas sobras cobrirão pequenas despesas inesperadas e necessárias no fim do mês.

modelo orçamento simplificado mensal com alocação de investimentos em renda fixa para a formação de reserva de emergência e apontando as sobras, que funcionam também como reserva de emergência em conta corrente no mês em questão.

Você pode perceber que estará duplamente protegido contra qualquer eventualidade que o force a entrar no cheque especial do seu banco e, assim evitar o pagamento de juros. 

Regras para usar sua reserva de emergência

Atenção, você deve ter muito cuidado para não se autossabotar. Isso é um comportamento comum em que as pessoas sabotam o que é certo em prol de luxos desnecessários. Para quem possui reservas de emergências, existem algumas regras básicas a serem seguidas, principalmente se tratando de quando usar sua reserva de emergências, ou como muito dito por aí, quando colocar fogo no colchão?

O ideal é nunca ter que usar essas reservas. Deixá-las valorizando sob efeito dos juros compostos.

Para ficar claro, uma reserva de emergência principal só pode ser usadas em casos de:

1) Perda total ou parcial da renda (desemprego, afastamento do serviço, negócio que não deu certo, etc…;

2)Tratamentos de saúde urgente;

3) Casos de força maior (alagamentos, incêndios,  etc…)

O objetivo principal de uma reserva de emergências é proteção para nunca mais correr o risco de depender de banco para contrair dívidas. Em caso de uma perda de sua renda, de repente, haverá um colchão de dinheiro que o deixará seguro e protegerá seus investimentos mais rentáveis ou que possuem menor liquidez até que a situação se normalize.

Proteção para seus melhores investimentos

O primeiro passo para você construir uma boa carteira de ativos é estabelecer objetivos claros em bem definidos. A partir daí, é fundamental a criação de uma reserva de emergências.

A reserva de emergências deverá possuir liquidez. Vamos tomar como exemplo que uma pessoa possui todo seu dinheiro investido em imóveis. Caso ela precise de dinheiro, por perda inesperada da sua renda, a única saída seria vender a qualquer preço um de seus imóveis para ter dinheiro na mão. Numa situação dessas, a necessidade do vendedor faz a oportunidade do comprador.

Os investimentos que possuem liquidez são os que possuem facilidade de saque, por isso são recomendados para reserva de emergências.

Opções de investimentos para as reservas

Os investimentos rentáveis mais comumente utilizados como reservas de emergência no momento em que escrevo este artigo são:

  • Fundos DI pós fixados;
  • Fundos de renda fixa pós ficados;
  • CDBs com liquidez diária;
  • LCIs com liquidez diária;
  • Tesouro Selic.

No caso do Tesouro Selic, você não poderá reaver o dinheiro investido nos fins de semana e mesmo durante a semana, leva cerca de 2 dias úteis entre a ordem de venda no site do Tesouro Direto e o resgate.

Infelizmente por falta de conhecimento, a Caderneta de poupança é o investimento mais popular do Brasil. Em muitos casos, aplicações na caderneta de poupança são reservas de emergência. A rentabilidade real da Caderneta atualmente tem se mostrado negativa por causa da inflação. Pra se ter da ideia, menos de 1% da população investe em Títulos Públicos. Eu acredito que em caso de perda de renda inesperada, o investidor terá tempo hábil (2 dias úteis) para lançar mão da venda de um Tesouro Selic, que é bem mais rentável que a poupança. 

Para saber mais sobre o Programa Tesouro Direto e os Títulos Públicos oferecidos, acesse aqui o artigo.

Cabe ressaltar que você é o único responsável por suas escolhas e deverá aprender continuamente sobre investimentos e fazer escolhas conscientes e sábias. No mundo dos investimentos, quanto mais aprender, menos dependente da opinião de terceiros será e maiores serão os resultados.

Quanto guardar como reservas de emergências?

Depende muito do seu perfil. Da sua idade, do seu nível de qualificação profissional, se é empresário, empregado privado ou público, ou autônomo.

Há um consenso geral entre autores de diversos livros que a reserva de emergência deve ser suficiente para custear 6 meses de despesas.

Porém, pode ser também de 1 ano. Um corretor de imóveis, por exemplo, que foi demitido e sofre com a crise no setor  imobiliário que vemos desde 2015, deveria ter uma reserva de emergência de 1 ano. Corretores dependem de comissões e imóveis não tem liquidez. Suas comissões estão atreladas dependem, em boa parte, da baixa liquidez que o mercado imobiliário oferece. Vale ressaltar que a outra parte de suas comissões é oriunda de comissões por aluguel, que geralmente geram receitas menores.

O que fazer após lançar mão de uma reserva de emergência?

No caso de precisar usar a sua reserva de emergência, aja como se tivesse pegando dinheiro emprestado de um banco. Por curiosidade, faça uma simulação no computador de quanto você pagaria de juros caso lançasse mão de um empréstimo. Descobriu qual a taxa de juros pagaria? Saiba que você é o seu Banco. Esta reserva deve ser imediatamente reposta com juros. Isso desenvolverá a sua autodisciplina e você verá você agiu como se você fosse o seu próprio banco. Ou seja, fez um auto empréstimo e se pagou com juros.

Somente após a construção de uma boa reserva de emergências é que você deve começar a investir para realiza seus sonhos, como a compra de um imóvel à vista, por exemplo. Quando chegar o dia de comprar este imóvel, sua reserva de emergência não entra na compra, nem sequer para pagar ITBI e outros encargos. Lembre-se, sua reserva de emergência é seu fundo de segurança.

Melhor momento para criar uma reserva de emergência

Você poderá criar a sua reserva de emergência em uma ou mais etapas.

Se você acredita que existe uma baixa probabilidade de uso da sua reserva de emergência, poderá construir sua reserva em duas ou mais etapas a fim de atingir uma maior rentabilidade.

O primeiro investimento deve sempre ser a reserva de emergência. Se você planeja uma reserva de emergência suficiente para cobrir 1 ano de despesas, por exemplo, você pode determinar que a primeira etapa seja criada com o suficiente para viver por 6 meses.

A construção da segunda etapa da reserva visando a construção do montante restante (ex.: para cobrir mais 6 meses de despesas restantes), vai depender se você está em um ciclo de alta nas taxas de juros. Se a tendência for de queda, você pode investir para realizar seus sonhos por meio de investimentos pré-fixados a fim de “travar” uma alta taxa de juros. Quando a Selic chegar no fundo do poço, com tendência de um recomeço de altas, pode retomar a construção de sua reserva de emergências.

Você deve entender as regras do investimento escolhido para esta reserva e saber se possui liquidez. Uma parte de investimentos que estão atrelados à taxa Selic ou ao DI (CDI) funcionam como reservas de emergência, como vimos anteriormente. A questão durante a construção da 2ª fase de uma reserva de emergência é observar se a tendência de altas e baixas da taxa Selic. A taxa DI acompanha os movimentos da taxa Selic diária. Se a taxa Selic está em um momento de altas consecutivas, após um ciclo de queda seguido de estabilização, pode ser mais interessante investir em fundos DI do que em ciclos de queda da Selic. Ou seja, a Selic em movimentos consecutivos de alta é mais favorável para consolidar uma reserva de emergência.

Emergências não são desejos

É importante ter em mente que emergências não são desejos. Desejos de consumo devem se adequar ao padrão de consumo adequado a sua renda e comprados mediante planejamento por meio de provisões financeiras

Concluindo, pra que correr o risco de depender do dinheiro dos outros a preço de juros se você pode ser financeiramente livre e  autossuficiente?

É uma questão de escolha. Escolhas inteligentes hoje fazem um futuro melhor.

Continue se dedicando à Educação Financeira. Acompanhe nossas publicações semanais.

Achou interessante?

Então deixe um comentário e compartilhe este artigo com seus amigos, clicando nos botões de e-mail e das redes sociais logo abaixo.
Até a próxima.

Fábio Moraes

Um artigo sobre Educação Financeira

, ,

Sem comentários